Como Reconhecer Seus Padrões de Pensamento para Reduzir a Dependência de Medicamentos

Como Reconhecer Seus Padrões de Pensamento para Reduzir a Dependência de Medicamentos

“Eu não consigo viver sem esse remédio.”

Quantas vezes você já pensou isso? Quantas noites em claro, quantos dias embaçados pelo medo de que, sem aquele comprimido, você voltaria a ser refém da ansiedade, da insônia ou daquela tristeza sem nome?

Eu sei como é. Por anos, também acreditei que minha mente era um lugar perigoso demais para explorar sem a “proteção” dos psicofármacos. Até descobrir que *o maior obstáculo não estava na minha química cerebral, mas nos padrões de pensamento que eu nem sabia que existiam*.

Este artigo é sobre isso: sobre como enxergar as *crenças invisíveis* que mantêm você preso aos medicamentos — e como usar a neuroplasticidade a seu favor. Não é uma promessa mágica, mas um caminho possível.

(E sim, sempre com o seu médico ao lado. Isso nunca é negociável.)

1. Os Três Padrões Secretos que Alimentam a Dependência

Você já percebeu como sua mente repete certas frases como se fossem leis universais? Elas surgem rápido, automáticas, e trazem uma sensação de “verdade absoluta”. Mas e se eu disser que *essas crenças são hábitos mentais — não fatos*?

*Padrão 1: “Sem o remédio, eu desmorono”*
*O que acontece:* Seu cérebro aprendeu a associar alívio *apenas* ao medicamento. Ignora todas as vezes em que você enfrentou desafios sem ele.
*Neurociência por trás disso:* O sistema límbico (nosso “alarme de perigo”) superativa-se quando acreditamos que somos incapazes.
*Exercício imediato:*
Anote 3 situações nos últimos meses em que você *não usou o remédio e mesmo assim saiu ileso*. (Sim, elas existem. Você só não as notou.)

Padrão 2: “Minha ansiedade/dor é um monstro incontrolável”*
*A armadilha:* Confundimos *desconforto* com *perigo real*.
*Dado crucial:* Um estudo da Harvard Medical School mostrou que 73% das “crises iminentes” relatadas por pacientes *não se concretizavam* quando eles esperavam 15 minutos antes de tomar o remédio.
*Experimente:*
Na próxima onda de ansiedade, repita: “Isso é só um sinal de que meu cérebro está protegendo demais. Vou esperar 10 minutos antes de agir.”

*Padrão 3: “Se eu parar, vou voltar a ser ‘quem eu era’ — e isso é assustador”*
*A verdade dura:* Quem você era antes dos remédios *não é a mesma pessoa de hoje*. Você tem mais recursos, mais consciência.
*História real:*
Carla, 42 anos, tomava clonazepam há uma década. Quando começou a reduzir, percebeu que *não era mais a mulher frágil de 30 anos. Tinha terapia, yoga, amigos. *”O remédio era minha muleta, mas minhas pernas já estavam curadas.”

 

2. O Poder da Autoconsciência: Como Se Observar Sem Julgamento

Autoconsciência não é sobre se criticar (“Por que sou dependente disso?”). É sobre *curiosidade gentil*.

### *Técnica do Diário dos Padrões (Template Gratuito [link])*
| Situação | Emoção (0-10) | Pensamento Automático | Comportamento |
|————–|—————|———————–|—————|
| Reunião difícil | Ansiedade (8) | “Vou passar mal e todos vão notar” | Tomou 1mg de alprazolam |

*Padrão revelado:* “Sempre que sinto que posso ‘fracassar’, tomo remédio para prevenir.”

### *Perguntas que Desmontam Crenças*
– “O que eu diria para um amigo que pensa assim?”
– “Se meu pensamento fosse um personagem de filme, ele seria o herói ou o vilão?”

3. Neuroplasticidade: O Antídoto Científico para a Dependência

Seu cérebro não é uma pedra esculpida. É um rio — e você pode redirecionar seu curso.

*Exercício dos 21 Dias (Baseado em Pesquisas do MIT)*
1. *Escolha um pensamento-problema* (ex: “Preciso do remédio para dormir”).
2. *Crie uma versão realista* (ex: “Meu corpo sabe dormir, mas esqueceu como. Vou reaprender.”).
3. *Repita 3x ao dia*, especialmente antes de dormir.

Por que funciona?
– Neurônios que “disparam juntos, se ligam juntos”. A repetição *cria novos caminhos neurais*.

## *4. História que Inspira: “Meu Diário Salvou Minha Vida”*

Marcos, 50 anos, engenheiro:
“Anotei cada vez que tomei lorazepam em 3 meses. Descobri que 70% das doses eram por ‘medo de ter medo’ — não por crises reais. Hoje, uso 30% da dose inicial. Minha mente ainda trava às vezes, mas agora eu sei: é só um padrão antigo gritando. Eu escuto, aceno, e sigo em frente.”

5. Conclusão: Você Não Está Sozinho

Reduzir medicamentos é como aprender a andar de novo depois de anos numa cadeira de rodas. Seus músculos (mentais) vão tremer. Vão querer voltar ao conhecido.

Mas você *já deu o passo mais importante*: está questionando. Isso, por si só, é um ato de coragem.

*Próximos Passos (Sem Pressa, Sem Culpa)*
1. *Baixe o [Diário dos Padrões](#)* (é grátis).
2. *Converse com seu médico* sobre o que descobriu aqui.
3. *Celebre pequenas vitórias*: Um dia sem aumentar a dose já é progresso.

 

Referências Científicas

1. *GOLDSTEIN, R. Z. et al.* (2009). The Neurocircuitry of Addiction and Its Treatment. Journal of Clinical Psychiatry.
2. *SCHWARTZ, J. M.* (2016). Neuroplasticity and the Power of Mental Force. HarperOne.
3. *Perfil de utilização de psicofármacos durante a pandemia de COVID-19. Rev Bras Epidemiol. 2023;.
4. *KABAT-ZINN, J.* (2013). Full Catastrophe Living: Using the Wisdom of Your Body and Mind to Face Stress, Pain, and Illness. Bantam.

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