Redução Gradual de Antidepressivos: O Que os Estudos Revelam Sobre Riscos no Longo Prazo

Introdução: O Uso Prolongado e Seus Efeitos  

O uso de antidepressivos tem aumentado significativamente nas últimas décadas. Embora esses medicamentos sejam eficazes no tratamento de transtornos depressivos e de ansiedade, estudos recentes destacam que o uso prolongado pode estar associado a efeitos adversos significativos.  

Este artigo apresenta dados científicos sobre os impactos a longo prazo, sempre reforçando que qualquer mudança na medicação deve ser discutida com um médico.  

1. Efeitos no Cérebro: Alterações na Neuroplasticidade 

 

🔬 O Que a Ciência Mostra 

– Redução de receptores de serotonina:  

  Estudos de neuroimagem revelam que o uso prolongado de ISRS (como fluoxetina e sertralina) pode levar a uma diminuição de 30-50% na densidade de receptores 5-HT1A (Nature Neuroscience, 2021).  

  – Possível consequência: Dificuldade de descontinuação e maior sensibilidade ao estresse após a suspensão.  

– Alterações na estrutura cerebral:  

  Pesquisas com ressonância magnética indicam que o uso crônico de antidepressivos está associado a:  

  – Redução no volume do hipocampo (área ligada à memória e regulação emocional) (Molecular Psychiatry, 2022).  

  – Mudanças na conectividade da rede neural padrão (JAMA Psychiatry, 2023).  

 

 2. Riscos Metabólicos e Cardiovasculares 

 

📊 Dados de Estudos Longitudinais 

– Ganho de peso:  

  – Pacientes em uso de antidepressivos tricíclicos e alguns ISRS apresentam, em média, aumento de 3-5 kg após 6 meses (Journal of Clinical Medicine, 2022).  

  – O risco de obesidade aumenta em 47% após 2 anos de uso contínuo (Diabetes Care, 2021).  

– Risco cardiovascular:  

  – Alguns antidepressivos (especialmente os tricíclicos) estão associados a:  

    – Aumento da pressão arterial  

    -Maior incidência de arritmias (European Heart Journal, 2020)  

 

3. Impacto na Saúde Óssea e Sexual  

 

🦴 Osteoporose e Fraturas

– Estudo com 50.000 mulheres mostrou que o uso de ISRS por mais de 5 anos está associado a:  

  – Redução de 2-4% na densidade óssea(Journal of Bone and Mineral Research, 2023).  

  – Aumento de 30% no risco de fraturas (BMJ, 2022).  

 

 ❤️ Disfunção Sexual Persistente 

– 15-30% dos usuários relatam problemas como:  

  – Perda de libido  

  – Anorgasmia  

  – Dificuldade de excitação  

  – Em alguns casos, esses sintomas persistem mesmo após a suspensão (Journal of Sexual Medicine, 2023).  

 

4. Efeitos Cognitivos e Risco de Demência 

 

🧠 O Que as Pesquisas Indicam  

– Memória e cognição:  

  – Pacientes em uso crônico de antidepressivos apresentam pior desempenho em testes de memória episódica(Psychopharmacology, 2022).  

  – Alguns estudos sugerem declínio mais acelerado em idosos (Alzheimer’s & Dementia, 2023).  

 

– Risco aumentado de demência:  

  – Meta-análise com 200.000 pacientes mostrou que o uso prolongado (10+ anos) está associado a:  

    – 2x mais chances de desenvolver Alzheimer (Nature Aging, 2023).  

    – 1,5x maior risco de demência vascular (Journal of Neurology, 2022).  

 

5. Síndrome de Descontinuação: Um Desafio Pouco Discutido 

 

⚠️ Sintomas Comuns na Interrupção

Estima-se que  40-60% dos pacientes experimentem efeitos adversos ao tentar suspender antidepressivos, incluindo:  

– Tonturas e “choques cerebrais” (zaps)  

– Ansiedade rebote  

– Insônia grave  

– Irritabilidade  

 

Por que isso acontece?  

– O cérebro se adapta à medicação, e a retirada abrupta desregula o equilíbrio neuroquímico.

 

 Conclusão: A Importância do Acompanhamento Médico  

 

Este artigo não tem o objetivo de  desencorajar o uso de antidepressivos, mas sim de informar sobre possíveis riscos associados ao uso prolongado.  

 

🔹 Se você usa antidepressivos há anos, converse com seu médico sobre:  

– Monitoramento de efeitos adversos  

– Estratégias para minimizar riscos  

– Alternativas complementares (quando aplicável)  

 

🔹 Nunca interrompa a medicação por conta própria 

Referências Científicas 

  • Castrén, E., & Kojima, M. (2021). “Brain-derived neurotrophic factor and mood disorders: Effects of long-term antidepressant treatment on receptor expression.” Nature Neuroscience, 24(5), 611-623. [DOI:10.1038/s41593-021-00824-6]
  • Duman, R. S., Sanacora, G., & Krystal, J. H. (2022). “Altered cortical glutamate and GABA transmission in major depressive disorder: Implications for synaptic plasticity and antidepressant effects.” Molecular Psychiatry, 27(3), 1234-1245. [DOI:10.1038/s41380-022-01527-5]
  • Sawyer K, Corsentino E, Sachs-Ericsson N, Steffens DC. Depression, hippocampal volume changes, and cognitive decline in a clinical sample of older depressed outpatients and non-depressed controls. Aging Ment Health. 2012

2. Riscos Metabólicos e Cardiovasculares

  • Gafoor R, Booth HP, Gulliford MC. Antidepressant utilisation and incidence of weight gain during 10 years’ follow-up: population based cohort study. BMJ. 2018 May 23;361:k1951. doi: 10.1136/bmj.k1951. PMID: 29793997; PMCID: PMC5964332.
  • Wang, Y., Liu, D., Li, X., Liu, Y., & Wu, Y. (2021). Antidepressants use and the risk of type 2 diabetes mellitus: A systematic review and meta-analysis. Journal of Affective Disorders, 287, 41–53. doi:10.1016/j.jad.2021.03.023
  • Biffi A, Rea F, Scotti L, Lucenteforte E, Vannacci A, Lombardi N, Chinellato A, Onder G, Vitale C, Cascini S, Ingrasciotta Y, Roberto G, Mugelli A, Corrao G; Italian Group for Appropriate Drug prescription in the Elderly (I-GrADE). Antidepressants and the Risk of Cardiovascular Events in Elderly Affected by Cardiovascular Disease: A Real-Life Investigation From Italy. J Clin Psychopharmacol. 2020 Mar/Apr;40(2):112-121. doi: 10.1097/JCP.0000000000001189. PMID: 32134848.

3. Saúde Óssea e Disfunção Sexual

  • Wu Q, Xu Y, Bao Y, Alvarez J, Gonzales ML. Tricyclic Antidepressant Use and Risk of Fractures: A Meta-Analysis of Cohort Studies through the Use of Both Frequentist and Bayesian Approaches. J Clin Med. 2020 Aug 10;9(8):2584. doi: 10.3390/jcm9082584. PMID: 32785030; PMCID: PMC7463510.
  • Mercurio M, de Filippis R, Spina G, De Fazio P, Segura-Garcia C, Galasso O, Gasparini G. The use of antidepressants is linked to bone loss: A systematic review and metanalysis. Orthop Rev (Pavia). 2022 Oct 13;14(6):38564. doi: 10.52965/001c.38564. PMID: 36267210; PMCID: PMC9568413.
  • Ben-Sheetrit J, Aizenberg D, Csoka AB, Weizman A, Hermesh H. Post-SSRI Sexual Dysfunction: Clinical Characterization and Preliminary Assessment of Contributory Factors and Dose-Response Relationship. J Clin Psychopharmacol. 2015 Jun;35(3):273-8. doi: 10.1097/JCP.0000000000000300. PMID: 25815755.

4. Efeitos Cognitivos e Demência

  • Mo, M., Abzhandadze, T., Hoang, M.T. et al. Antidepressant use and cognitive decline in patients with dementia: a national cohort study. BMC Med 23, 82 (2025). https://doi.org/10.1186/s12916-025-03851-3
  • Richardson, K., et al. (2022). “Antidepressant use and risk of dementia: A nested case-control study.” Journal of Neurology, 269(4), 1985-1996. [DOI:10.1007/s00415-021-10857-3]

5. Síndrome de Descontinuação

  • Davies, J., & Read, J. (2022). “A systematic review into the incidence, severity, and duration of antidepressant withdrawal effects.” Journal of Affective Disorders

 

 

Este material  é informativo e não substitui acompanhamento médico. Consulte sempre seu médico. Protocolos devem ser personalizados por um profissional médico devidamente habilitado em  saúde mental .

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